quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

Qual a sua necessidade?

Olá meus queridos.

Gostaria de tentar estabelecer uma meta aqui e postar pelo menos uma vez por semana. Não como uma obrigação, mas porque me leva a ler mais, buscar informações, notícias, novidades para compartilhar com vocês, e sentimentos, o que puder ser útil, ou não. Vamos ver se dá certo? Prometo que vou me esforçar.

Bom, desde domingo eu já venho pensando o que iria escrever aqui, mas andei tão cansada. Fim de semana foi bem cheio. Todo mês o meu grupo de recuperação faz um chá, para as meninas se encontrarem, e conversarem, e dar risada, essas coisas. Sábado foi o último chá do ano, e fizemos amigo secreto. Estava muitooo calor, mas o calor de nossa amizade foi ainda maior. Eu as amo tanto, sem elas não teria a força nem coragem para fazer tudo que fiz, e nem teria metade do meu crescimento.


Este é nosso lema, e comprovamos isso a cada dia, que uma dá um grito e todas corremos para ajudar a levantar. São minhas amigas, minhas irmãs, minhas mães, minhas filhas, minhas companheiras de recuperação.

Bom, e aí domingo foi dia de estudar pra minha última prova do semestre, que estava beem difícil, mas passei. Ufa!! Descansar agora. Mereço!

E nesses últimos dias meio que me bateu uma deprê. Saudade. 

Tenho um pouco de dificuldade de ficar sozinha. Não gosto de me sentir sozinha. E me vi sozinha estes dias. Sei lá. Só ficou meio difícil quando percebi que não sou prioridade de ninguém.

Acho que me sinto ainda em processo de luto. Depois de um adeus, não somo mais as mesmas pessoas. Algo sempre se quebra por dentro. Podemos dizer que se quebram nossas ilusões, sonhos, nossas esperanças, ou nossos sentimentos. Me permiti sentir isso esses dias. Me permiti sentir saudade. Me permiti chorar. Agora posso respirar fundo, levantar a cabeça, e vida que segue!

Não vou ficar aqui choramingando. Mas pensei bastante a respeito. O que me levou à algumas possíveis causas da minha codependência.

Uma de nossas necessidades básicas é nos conectarmos com outras pessoas. Quando somos recém nascidos, uma pequena e frágil criatura, dependemos totalmente dos outros para satisfazer nossas necessidades físicas como alimentação, proteção, assim como nossas necessidades de afeto, segurança, carinho. Os primeiro anos de vida são decisivos neste aspecto, por isso é fundamental que estas necessidades sejam bem supridas neste período. Porque se não interiorizamos através de nossos pais que somos valiosos, dignos de amor e respeito, infelizmente não seremos capazes de fazer isso depois de adultos, ou será muito mais doloroso.

Ou seja, se não recebemos os cuidados e o afeto necessário, essa sensação de desproteção pode nos colocar na posição de "mendigos emocionais", responsabilizando os outros o que não sabemos como dar a nós mesmos.

Eu nunca duvidei do amor dos meus pais. Mas eu sou a mais nova de 4 irmãos, e sempre fui uma criança quietinha. Meus pais nunca tinham muito tempo pra mim. Não digo a nós como família, mas a mim como indivíduo.

Vejam algumas frases que indicam a existência de dependência emocional. Veja se você reconhece alguma:

Preciso dos outros para me sentir valiosa e digno de amor.
Preciso que os outros me façam sentir importante.
Preciso da aprovação dos outros.
Preciso que os outros me façam feliz.
Preciso estar acompanhado para não me sentir vazia.
Preciso dos outros para me sentir especial.

Meus caros, temos que ter em mente que a verdadeira fonte para nos sentirmos valiosos, dignos de amor e seguros, é o nosso coração. Partindo daí, temos que levar em conta que uma mudança real e definitiva sempre acontece de dentro pra fora, e não o contrário.

Claro que todos precisamos e gostamos de receber atenção, mas é preciso perceber até que ponto isto é sadio, e a partir de que ponto já se torna uma doença.

Preciso de alguém para compartilhar o amor que tenho dentro de mim.
Neste caso não se trata de um vazio, mas de ter tanto amor dentro de si, que ele naturalmente irradia para os outros.

Preciso me conectar profundamente com os outros.
Este tipo de conexão, entre corações, surge a partir de um espaço de serenidade e harmonia. Já uma relação dependente, está carregada de insegurança, manipulação e ansiedade.

As relações estimulam enormemente o nosso crescimento e aprendizagem a um nível mais profundo, especial se a outra pessoa também estiver disposta a crescer e aprender.

Preciso de contato físico, mas não exclusivamente de sexo.

Preciso me divertir, brincar e me distrair com outras pessoas.

Preciso ter a certeza de que o outro nunca irá me fazer dano algum, deliberadamente.

É essencial nos sentir seguros de que a outra pessoa pessoa procura de coração o nosso melhor interesse e que é honesta, pra poder ter uma relação baseada na confiança.

Então, pelo que pude perceber, todos somos mais ou menos dependentes emocionais. Só que a diferença entre a doença e a necessidade sadia, é que a primeira esgota e desgasta a relação, enquanto que a segunda nutre e fortalece.

Eu ainda estou trabalhando nisso.

Pare e pense um pouquinho qual é o tipo de relação que você tem.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Recuperação é possível, sim!

Minha última postagem aqui foi dia 01 de Outubro. 

Meeuu Deus, quanta coisa aconteceu nesses últimos meses. Ou melhor dizendo, quanta coisa aconteceu neste ano todo.

Me lembro que lá na virada do ano, quando tudo estava tão bem, aparentemente, pensei que seria um ano bom, um ano tranquilo, mas o mundo gira, e não sei se posso dizer que girou muito a meu favor.

Só para começar a listar: Troquei de emprego duas vezes, me vi sem dinheiro pra pagar uma passagem de trem, meu pai teve câncer, passou alguns meses no hospital, mas após a cirurgia se recuperou muito bem, e rápido, graças a Deus. Perdemos minha avó, de câncer também, foi uma questão de dias após meu pai sair do hospital. Minha outra vó caiu e fraturou algumas vértebras, agora está no hospital, na UTI. Minha sobrinha de apenas 10 meses teve que fazer uma cirurgia no tendão do pescoço, mas no mesmo dia já estava em casa. E terminei meu relacionamento com meu adicto de preferência.

Bom, não posso dizer que foi um ano terrível, porque também aconteceram coisas boas. Muitoo aprendizado e muito crescimento. Conheci pessoas maravilhosas que fizeram e ainda fazem toda diferença na minha vida. 

Devo admitir que em meio a todo esse caos, não senti a menor vontade de vir até e ficar choramingando. E diante de toda a frustração e dor do término do meu relacionamento, eu desacreditei de mim mesma e de que recuperação é mesmo possível. Então, o que eu escreveria aqui, já que o título do blog é "Recuperação é Possivel"??

Conversando com um amigo adicto, que hoje está em recuperação, comentei que eu tinha um blog, mas que não escrevia mais. Bom, ele praticamente me xingou. Quer ferramenta melhor para o 12o passo?? Ele me incentivou a continuar escrevendo, e a ser sincera. 

Resolvi voltar porque hoje eu acredito sim que Recuperação é Possível. Mas não estou falando da recuperação de um dependente químico. Ela não depende de nós acreditarmos ou não. Porque para alguns funciona, para outros não. Depende daquilo que cada um busca pra si. 

Estou falando agora da minha recuperação. Como codependente, é nela que eu acredito, e é ela que eu busco.

Tive que abrir mão de todo aquele amor, de todos aqueles sonhos, de todos aqueles planos. Tive que pensar em mim. Tive que deixar ir.

"Sempre é preciso saber quando acaba uma etapa da vida. 
Se você insistir em permanecer nela mais tempo do que necessário, 
perderá a alegria e o sentido do resto.
Não podemos estar no presente ansiando o passado. 
Nem sequer ficar nos perguntando o porquê. 
O que aconteceu, aconteceu, e é preciso se desprender. 
Não podemos ser eternas crianças, nem adolescentes tardios, 
nem empregados de empresas inexistentes, 
nem ter vínculos com quem não quer estar vinculado a nós."

Há momentos em que desejamos ficar, em que daríamos qualquer coisa para ter motivos para fazê-lo. Pensar em chegar a um ponto de "não retorno" nos causa angústia, mas uma hora ficamos fartos dos "até logos", de colocar reticências onde deveria ir um ponto final, e então dizemos "adeus", ainda que nos doa na alma. 

O "adeus" é uma palavra madura. Digamos que seja uma questão de saúde emocional. Se queremos que as coisas mudem, devemos permitir que elas mudem. Dizer adeus dói, mas é a única forma de fechar a janela para a dor, a desilusão, e o desencanto.

Quando uma serpente precisa se desprender de sua pele velha, ela escolhe passar por entre duas pedras próximas que a apertem, a rasguem e a ajudem a eliminar sua pele. Esse caminho provoca dor, mas ajuda a se desfazer do velho para dar lugar ao novo.

Sofremos nesse caminho sim, mas se resistirmos a atravessá-lo, a angústia aumentará, porque não soltamos aquilo que não contribui em mais nada.

É normal que resistamos a dar o primeiro passo, mas o que está claro é que quando nos atrevemos a dá-lo, começamos a construir relações saudáveis e positivas, a não sentir esse vazio emocional que nos devora, e a valorizar de verdade as pessoas que merecem estar em nossa vida.

Agora que estou sozinha, tive que focar em mim mesma. E buscando a minha recuperação, me deparei com meus defeitos. Sim, eu também tenho defeitos de caráter. 

Enquanto estamos em função dos nossos adictos, mascaramos muitos de nossos defeitos, e isso não é intencional, é sem querer mesmo. É simplesmente porque não conseguimos olhar pra eles. Estamos cegos. Nossos olhares estão voltados unicamente para nosso companheiro, ou filho, ou irmão, ou seja lá qual o grau de proximidade. 

Mas e quando eles não são mais um problema? Somos obrigados a olhar pra nós mesmos. É como se tivéssemos um espelho bem na nossa frente, e ele nos mostrasse tudo aquilo que os outros vêem e nós não enxergamos. Somo nós nos olhando de fora pra dentro. 

É tão fácil julgar os outros, não é mesmo? Mas e quando temos que fazer isso conosco?

Sempre tive muita dificuldade com o 4o passo. 

"Fizemos um minucioso e destemido inventário moral de nós mesmos".

Ele exige honestidade. Honestidade para examinarmos os nossos comportamentos, sentimentos, pensamentos, não importa quão pouco importantes possam parecer. Nossa honestidade pode conduzir à descoberta de como a nossa doença (codependência) atingiu nossas vidas.

Devemos olhar, não só para aquilo que fizemos, mas também para como nos sentimos. Em situações em que nos sentimos mal, ou em que sentimos que algo estava errado, era certamente porque tínhamos comprometido os nossos valores morais, ou porque não conseguimos respeitá-los.

Quando compreendemos isso, podemos começar a ver a natureza exata das nossas falhas. Não é só ver o erro que cometemos, mas chegar à natureza dela. A natureza dessa falha foi o nosso egocentrismo? Nosso medo? Nossa falta de carinho?

Essa semana mesmo me deparei com um defeito muito grave meu. Erros que cometi antes mesmo de conhecer meu namorado adicto, e agora me vi fazendo tudo de novo. Mas afinal, a causa de todos os meus problemas não era ele? Ou melhor, a doença dele? Será?

O inventário é nosso. Não é local para se registrar as falhas ou os erros dos outros. É um processo de descobrir como nossos defeitos de caráter prejudicam, não só a nós, mas também aos outros, e como nossa vida em recuperação pode nos trazer serenidade, conforto e alegria. Descobrimos aquilo que bloqueia nosso caminho e o que pode funcionar pra nós.

Eu ainda estou procurando meu caminho. Ainda não sei exatamente o que vou fazer da minha vida. Relacionamentos já me trouxeram muita dor de cabeça, então não é uma opção no momento. Preciso descobrir novamente quem sou.

Quero viajar, conhecer lugares, conhecer pessoas, fazer amigos, trabalhar, me formar, adquirir minhas coisas. 

E pra seguir, coloco Deus à frente de tudo. Eu sei que sem Deus minha vida não tem sentido. O que farei, pra onde irei se Ele não for comigo? O que passou ficou para trás, não voltará. Mas nas mãos de Deus está o meu amanhã.

Eu entrego tudo a Ele. Ele cuida da minha casa e dos meus, e está no controle. Porque meu coração é enganoso. Por isso meu Pai vai comigo, e cuida de tudo pra mim.

O que desejo pra mim, desejo a vocês também.

Fiquem bem.
Fiquem com Deus.

quinta-feira, 1 de outubro de 2015

AUTOMOTIVAÇÃO

Olá amigos.

Quanto tempo né. Reviravoltas e reviravoltas nestes últimos meses que, sinceramente, não sentia vontade de compartilhar com ninguém, algumas muito boas, outras ruins. 

Estou sozinha no momento. Ás vezes temos mesmo que aceitar que algumas coisas não são pra ser, ou pelo menos, ainda não é o momento certo de serem.
Sigo meu caminho com a certeza de que fiz tudo que pudia, mas cada um tem o direito de fazer suas escolhas. Ele fez as dele, e eu fiz as minhas.

Estou bem. Estou cuidando de mim. E trago essa mensagem com o intuito de ajudar às milhares de pessoas que também precisam de um cuidado especial.
Ás minhas amigas e amigos desgastados pela dependência química de seus queridos, por favor, parem um momento e pensem em si mesmos. Pensem que vocês também são seres humanos, que vocês também merecem, que vocês também tem necessidades. 

Quero compartilhar com vocês uma dica de uma orientadora que fez uma palestra muito motivadora pro pessoal do meu curso da faculdade. 
Segue:


Automotivação é a capacidade de motivar a si mesmo, ou seja, de ENCORAJAR E DAR FORÇAS a si mesmo na realização de algo, sem depender da influência de outros.

AUTOMOTIVAR-SE é a decisão de ir em frente, aconteça o que acontecer, e enfrentar tudo o que vier, a fim de conquistar o que faz nosso coração vibrar de felicidade.

Você tem hoje esta capacidade e a iniciativa de se automotivar?
Se sim, meus parabéns!
Se não, não se desespere. 
Em se tratando da inteligência humana, tudo se aprende nessa vida.

A Kelly da Escola da Mente fez este vídeo com uma dica bem interessante para você começar a treinar sua AUTOMOTIVAÇÃO.


Segue o link do YouTube: https://www.youtube.com/watch?v=J_71QSwdTTI


As pessoas se perdem no piloto automático da vida. Vivem, crescem, trabalham e morrem sem saber a que vieram.

Nos falta autoconhecimento, coragem de olhar para dentro e exercer a auto honestidade em relação ao que somos realmente, e o que queremos. Não se culpe por isso, a nossa cultura ocidental não nos ensinou a auto observação. O foco sempre foi lá fora, no outro. 

A boa notícia é que nossa mente aprende tudo que ensinamos a ela. Podem ser coisas boas ou não, ela aprende o que quisermos. Tome a DECISÃO de mudar o rumo da sua vida e ensine a sua mente as habilidades necessárias.

Seguir nosso caminho com maior SERENIDADE E CONTENTAMENTO depende do quanto nos conhecemos e do quanto nos dispomos a uma AUTOTRANSFORMAÇÃO VERDADEIRA.

Observe a você mesmo e seja sincero:
O que você diz pra você mesmo quando ouve um não?
O que você faz com você mesmo quando sofre uma grande perda ou passa por uma situação traumática?
Como se sente quando não consegue cumprir o que prometeu a você e aos outros?
Como você reage quando está no meio de uma crise pessoal?
O que você pensa de você quando inicia um projeto, mas não consegue levá-lo adiante?
Como você se sente ao desistir inúmeras vezes do estilo de vida com o qual sonha há tanto tempo?

O grande segredo da automotivação está na nossa HABILIDADE DE FAZER ESCOLHAS RESPEITANDO NOSSAS VERDADEIRAS PREFERENCIAS, e como escolhemos reagir às coisas que nos acontecem enquanto estamos na roda da vida, na realização do que é importante pra gente.
Pense nisso!

Invista em você!!!!
E fiquem com Deus!!