quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Não tropece no trilho!

Olá pessoas que me lêem.

Como estão? Por aqui as coisas vão indo. Altos e baixos.

Temos muitos momentos bons, mas infelizmente momentos de recaída também. Esta semana é uma delas. Ele some, não volta pra casa, liga pedindo dinheiro, mente, essas coisas.

Aprendi a viver a MINHA vida, e a cuidar de mim, e a gostar de mim. Isso pode soar egoísta, mas não é. Se o outro não se importa em passar frio, em passar fome, em dormir na rua, o que eu posso fazer? Ir até a boca e pegar ele pela mãozinha e levar pra casa? Não, ele procurou isso, ele foi atrás, então tem que sofrer as consequências.

Infelizmente são essas as escolhas que ele vem fazendo. Eu sofro com isso, mas tenho tentado manter minha serenidade e me preocupar só com o que posso mudar. Não posso mudar o outro, apenas a mim mesma.

Hoje não perco mais uma noite de sono, porque ele deve estar dormindo num mato por aí.
Hoje não deixo de comer, porque ele não tem o que comer.
Hoje não deixo de ir trabalhar e estudar, porque ele não está em casa, e tenho que ficar em casa esperando por ele.

Eu já fiz tudo isso, sim. E só me fez mal. Emagreci. Acabou com minha saúde. Até nossa beleza a gente perde, porque não se cuida. E olha, caminhei até chegar nesse ponto. Não é da noite pro dia que a gente aceita que tem uma doença também, que o problema não é só o outro, que a gente precisa de ajuda, tanto ou mais que o adicto.

Meus sentimento não mudaram. Continuo amando-o muito, e ainda acredito na sua recuperação. Acredito que vai chegar o dia que ele vai se dar conta de tudo que perdeu e vai querer, de coração, dar a volta por cima e mudar de vida. E sim, me doí muito ver ele fazendo escolhas tão idiotas. Mas eu me amo muito também. Aprendi que eu também sou importante, que eu também preciso de cuidados. E ninguém melhor pra cuidar de mim, do que eu mesma.

Ontem fui na reunião de grupo de ajuda. Depois de quase 3 meses sem ir. Minhas amigas estavam lá. Minhas amigas que me entendem. Eu não estava me sentindo bem, estava enjoada e dor nas costas, mas fui, porque precisava, e lá recebi todo o apoio que estava procurando. Um abraço, uma palavra, às vezes duras, mas necessárias.

É inútil a gente achar que já sabe o suficiente pra lidar com eles. Porque lidar com eles, e com suas manipulações, e com seus pensamentos deturpados e atos insanos, e muitas vezes infantis, não é fácil. Se você estiver disposta a conviver com alguém assim, tem que estar bem ciente que vai precisar de muito auto-controle, e muita serenidade, e muita ajuda.

Eu não tinha percebido a falta que essas reuniões me faziam, até ir de novo. Ouvir as palavras das meninas que passam pelas mesmas coisas e que me entendem. A maioria dos maridos delas estão em recuperação, internados ou já terminaram o tratamento, mas isso não as protege de uma recaída deles, ou recaída de comportamento delas. 

Como o Dr. falou ontem. A dependência química é uma doença de minuto. Só por hoje está bem, até os próximos 5 minutos. E de 5 em 5 minutos, ele vive sua recuperação há 20 anos. Tinha outro presente que vive sua recuperação há 15 anos. Tem outros que vivem há 1 ano. E assim vão indo. 

O dependente químico, assim como o codependente também, tem que estar atento a cada minuto. Um único pensamento pode te tirar do caminho. Ás vezes pensamentos pequenos, podem criar uma tempestade em copo d'água.

"Uma pessoa nunca tropeça no trem, ela tropeça no trilho."

Você que está lendo este blog e está procurando ajuda, a primeira coisa que tem que fazer é procurar um grupo de ajuda voltado à família. Você que está perdido e não sabe o que fazer com seu familiar adicto, procure ajuda primeiro pra você. Se você estiver doente, não tem como ajudá-lo.

Compartilhar suas dores e ouvir as dores que outros compartilham, ajuda muito. Não existe fórmula para tratamento da dependência química, ou da codependência. Mas algumas mudanças de atitude pode fazer muita diferença.

Desejo à todos vocês
Muita serenidade pra aceitar.
E coragem pra mudar.
E sabedoria pra entender o que cabe a nós mudar, ou não.

Fiquem bem.
Fiquem com Deus.

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Tomando as rédeas!!

Olá meus amigos.

Ando meio sumida não é?

Peço que me desculpem, mas é que ando bastante ocupada.

Trabalhando bastante, e estudando bastante, e me preocupando um pouco mais comigo.

Infelizmente não estou conseguindo frequentar o grupo de apoio que estava indo antes, porque é longe e contramão, e devo admitir que dá um pouco de preguiça. Mas as esposas lá do grupo iniciaram um grupo de Whats, e é quase uma reunião diária, onde sempre rola muitas mensagens de auto ajuda e apoio mútuo. É muito bom. São minhas amigas que aprendi a respeitar e amar por suas experiências e palavras sempre cheias de carinho.

Mas como o blog é para compartilhar minhas experiências com meu namorado adicto, vamos falar um pouquinho dele.

Ele passou alguns dias fazendo muita besteira, dormindo na rua. Ele passou fome, frio, se meteu em frias, apanhou. Nem pergunto o que ele faz nesses dias, porque na verdade não quero saber. Os relatos que ouvi da família dele já foram o bastante.

Como estou bastante ocupada com meus próprios assuntos, esse último período não me afetou tanto. Claro, dói, a gente se preocupa, custa a dormir e tal. Mas o que eu poderia fazer? Sair da minha casa ou dos meus compromissos pra ir atrás? Ficar em casa esperando ele voltar, pra evitar que ele saia de novo? Não mesmo. 

Infelizmente, são coisas que ele mesmo escolheu pra ele. Ninguém mandou, ninguém levou, ninguém chamou. Ele foi atrás porque quis. E só posso entregar nas mãos de Deus e deixar que ele resolva sozinho seus problemas. 

Noto uma grande diferença nas minhas reações. Quando que, há alguns meses atrás, eu poderia ficar 3 dias sem notícias, chegar na casa dele e ver que ele não está, e simplesmente ir embora? Graças a Deus e muita ajuda, hoje consigo manter a serenidade, e mudar apenas o que posso. 

Não posso negar que senti muita, mas muita mesmo, vontade de desistir dele. Hoje sei que poderia seguir minha vida sem ele, e não ficaria mal. Mas ainda gosto muito dele, e não tenho como explicar, mas ainda acredito que ele pode mudar, se quiser. Ainda vejo nele esta vontade. Tomara que ele se empenhe mesmo nessa mudança, antes que perca a única pessoa que ainda é por ele, porque até a família dele já desistiu.

Mas há umas 2 semanas pra cá, as coisas tem melhorado um pouco. Começando pela mãe da filha dele. Demos uma trégua em nossas brigas, porque nunca nos suportamos. Mas acho que Deus amoleceu um pouco o coração dela, e ela permitiu que a gente passasse um Domingo com a pequena. Foi um dia muitoo bom.

Demos a sorte que foi justamente no dia que tivemos um evento na igreja, fomos no culto, teve um almoço depois. Minha família estava lá. E foi a primeira vez que meu pessoal o viu desde que saiu da Fazenda. Correu tudo bem. A pequena ficou meio arisca com a gente no início, porque fazia muito tempo mesmo que ela não nos via. Mas com paciência ela se soltou e foi um dia bem bacana.

Semana passada ele foi atrás de um serviço. Ainda não chamaram ele pra começar, mas assim que abrir a vaga, vão chamá-lo. Já está acertado.

Este fim de semana foi muito bom também. Dia 20 de setembro é feriado aqui no RS, então não trabalhei ontem e fomos num aniversário. Churrascada e cervejada, sei que não é o ambiente para ele, mas era aniversário de alguém muito especial pra mim, e ele foi comigo mesmo assim. Mas se comportou muito bem. Ofereceram bebida pra ele, e ele se manteve só no refrigerante. Conversou normalmente com as pessoas, e aos outros pode parecer tão pouco, mas só isso já é um grande passo para ele. À noite, fomos num culto gaudério num CTG, e teve jantar campeiro e um baile gauchesco depois. Minha família toda estava lá. Ficamos um pouco isolados deles, mas não fez diferença nenhuma. Nos divertimos bastante. 

Meu pai permitiu que ele passasse a noite na nossa casa, o que já é outro grande passo. Fiquei muito feliz e aproveitei muito cada momento. 

Não sei o que esperar dessa semana que vem por aí. Mas acho que aprendi a não ter muitas esperanças de que tudo vai mudar, e tudo vai começar a dar certo, e tudo vai entrar no eixos de novo. Ele me pede desculpas, diz que sabe que está ratiando, e que vai mudar, que não quer me perder nunca. Mas sei lá. Procuro manter os pés no chão. Sei como ele é, e sei como ele pode ser.

Estou tentando me desligar um pouco dos assuntos e dos problemas dele e me preocupar um pouco mais com os meus. Levei um susto nestes últimos dias, porque descobri que tenho um cisto no meu punho direito. Tive que fazer alguns exames e ir ao médico, e quase corri o risco de não passar no exame admissional por causa disso. Pensei que teria que operar às pressas. Mas não. É um problema que tenho que resolver, porque me incomoda, e dói, mas fui considerada apta para trabalhar. Não me impede. Que alívio. 

Bom pessoal, de novidade acho que é isso. 

Vou vivendo dia após dia, tentando manter minhas serenidade diante daquilo que não posso mudar. É difícil, mas o desligamento emocional ajuda muito. É como uma mãe que tem que se desligar e deixar seu filho crescer. Tem que deixar que ele ande com as próprias pernas, que ele aprenda sozinho, mesmo que tenha que sofrer para aprender. Eu sei que outra, no meu lugar, já teria desistido dele, porque não sou apenas namorada dele há muito tempo. Mas vivo aquilo que escolhi, e não posso culpá-lo por minhas próprias escolhas.

Minha família não se envolve muito. Alguns amigos me perguntam por que eu não o deixo. Não tem como explicar até que se passa pelo mesmo. Sei que existem mil razões para que eu desista, mas eu sempre encontro um motivo que me faz continuar. 

Já estava sentindo falta de compartilhar aqui. Não compartilho meus pensamentos achando que vou mudar a cabeça de pessoas que pensam diferentemente, e sim para mostrar às pessoas que já pensam como eu que elas não estão sozinhas. 

A maior lição que aprendi foi que, cuidando de mim mesma, não sobra muito tempo para me preocupar tanto com ele. 

Quem ama cuida. Eu cuido, e zelo, e oro por ele, mas não tomo mais as rédeas da vida dele, estou ocupada segurando as minhas.

Serenidade para aceitar.
Coragem para mudar.

Fiquem bem.
Fiquem com Deus.

domingo, 7 de setembro de 2014

Só por hoje, tudo em paz!

Olá amigos.

Passei para dar notícias.

Passamos por dias bem tempestuosos aqui.

Ele sumiu por alguns dias, se meteu em muita encrenca, quase foi morto. Acredito que Deus desviou algumas balas, que não o atingiram.

Hoje ele já está em casa, graças a Deus, são e salvo. Parece que as experiências dessa semana lhe deram um baita susto. Não sei. 

Oro todos os dias pela sua alma e sua recuperação. Mas agora depende unicamente dele. Estou esgotada.

Ele diz que AGORA SIM vai dar um jeito na sua vida. Mas quantas vezes já ouvi esse discurso.

Bom, esperar para ver,

O nosso sábado foi muito agradável, cheio de mimos da parte dele. Cheio de promessas, também, que entrego nas mãos de Deus.

Um dia de cada vez. Só por hoje, tudo em paz.

Fiquem com Deus.